LÍTIO NO TRATAMENTO PARA TRANSTORNO BIPOLAR: EFICÁCIA CONSOLIDADA, SUBUTILIZAÇÃO CLÍNICA E CAMINHOS PARA IMPLEMENTAÇÃO
Palavras-chave:
Lítio; Transtorno bipolar; Monitorização terapêutica; Efeitos adversos; Uso racional de medicamentos.Sinopse
O lítio permanece como terapia de primeira linha no transtorno bipolar, com alta eficácia na
estabilização do humor, prevenção de recaídas e possível efeito antissuicida, porém segue subutilizado
na prática clínica por barreiras relacionadas a efeitos adversos, necessidade de monitorização e fatores
organizacionais, formativos e econômicos. Este trabalho, de natureza qualitativa e bibliográfica,
investigou o paradoxo entre a robustez da evidência e a baixa adoção clínica, formulando cinco
hipóteses: evitação pela toxicidade e eventos adversos; inconveniência do monitoramento; baixa
promoção por ausência de patente; lacunas de formação no manejo; e preferência por fármacos mais
novos percebidos como mais cômodos. A revisão confirma a eficácia do lítio, descreve riscos
manejáveis com protocolos (litemia padronizada, vigilância renal/tireoidiana, prevenção de interações)
e identifica que o subuso decorre menos de inefetividade e mais de custos operacionais e de percepção.
Como implicação, recomenda-se implementar protocolos de monitorização, psicoeducação estruturada
e comanejo multiprofissional, medidas que reduzem descontinuações por eventos adversos e
aproximam a prática da evidência. A motivação pessoal da pesquisadora pelo uso prévio de lítio reforça
o compromisso com uma análise rigorosa e aplicada, orientada à melhoria do cuidado farmacêutico e
multiprofissional em saúde mental.