Entre a solidão e o bem-estar: o isolamento social e suas consequências psicológicas
Sinopse
O presente artigo teve como objetivo analisar as implicações do isolamento social prolongado
no bem-estar psicológico. A pesquisa se justifica pela crescente relevância do tema,
especialmente após o contexto pandêmico, e pela necessidade de diferenciar o fenômeno
objetivo do afastamento social da experiência subjetiva da solidão. O referencial
teórico-metodológico adotado foi a pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e
caráter exploratório, baseada na análise de artigos científicos obtidos na base de dados
PubMed, publicados nos últimos dez anos. A análise integrou os achados da literatura com a
teoria psicanalítica freudiana. Os resultados confirmaram a hipótese inicial, demonstrando
que o isolamento social prolongado é um fator de risco que se manifesta no sofrimento
psíquico através da solidão, associada ao agravamento de sintomas depressivos, ansiosos,
declínio cognitivo e ideação suicida. O estudo evidenciou que a qualidade dos vínculos é
mais determinante para o bem-estar do que a quantidade de interações. A discussão, à luz da
psicanálise, interpretou o isolamento como um mecanismo de defesa que, ao falhar, expõe o
sujeito à angústia de desamparo, levando ao empobrecimento da vida pulsional. Conclui-se
que o papel do psicólogo é crucial na reconstrução da capacidade de vincular-se de forma
significativa.